quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Jéu e o bezerro de ouro

O texto de Gabri leva-nos a reflexões: estamos acomodados aos nossos "bezerros de ouro"? leia e avalie a si próprio...


Hoje me deparei com uma passagem que me fez refletir: “Porém Jéu não deixou os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez Israel pecar, a saber, dos bezerros de ouro, que estavam em Betel e Dã” (2 reis 10:29). Pode até parecer uma passagem vazia e sem sentido, mas me fez pensar um pouco na minha vida e como eu tenho reagido com as coisas que estão ao meu redor.
Jéu é mais um dos reis de Israel que é descrito no livro dos Reis no antigo testamento. Foi de grande astúcia a sua estratégia de enganar os seguidores de Baal, afirmando que cultuaria muito mais Baal do que Acabe. Ele reuniu todos os servos, profetas e sacerdotes de Baal, não deixando faltar ninguém, com um único propósito de matar todos de vez e exterminar a adoração de Baal de Israel.
Posso até me arriscar em dizer que é Baal não só foi como ainda é um dos deuses mais adorados de hoje. A adoração a Baal, surgiu em meio a confusão relativa a identificação dos deuses, já que cada lugar adorava um deus, mas em cada lugar estes possuíam nomes diferentes e por isso resolveram unificar essa adoração e chamar esse deus de Baal, já que o seu significado é senhor. Se tornou mais fácil então acabar com a confusão de se adorar a quem não se sabia e se tornou mais fácil adorar ao deus Baal.
É um fato que temos ou já tivemos muitos senhores em nossas vidas e quando possuímos muitos senhores se torna difícil identificarmos a quem temos servido. Poderia fazer uma lista enorme, com milhares de senhores que tive ou que tenho na minha vida e acho que se você parar para pensar um pouco também poderia fazer o mesmo. Parece que a todo o momento possuímos uma força dentro de nos que nos faz acreditar que possuímos a necessidade de seguir a algo latente, algo que possamos ter um contato mais direto, ou que preencha de forma mais efetiva as nossas necessidades ou desejos. É muito fácil lidar com o óbvio, com o que está em nossa frente. Jéu fez isso ao lidar com Baal que era o principal problema que ele precisava resolver. Eu também fiz isso quando percebi que estava perdendo tempo e que não tinha como fugir dos caminhos do Senhor Jesus. Nesse exato momento admito, em minha mente, que preciso lidar com “senhores” que existem em minha vida, admito que por não conseguir visualizá-los de forma clara me rendo a dificuldade em lidar com o que não consigo enxergar. O problema é que quando não lidamos com o obvio, com o aparente, praticamente sucumbimos, vamos “a lona” com nosso sentimento de impotência, de frustração por não conseguirmos pensar em nada que possamos instintivamente fazer e resolver a nossa “parada”.
Jéu destruiu o que era óbvio. Jéu destruiu o templo de Baal e matou todos os seus seguidores, resolvendo o principal problema de Israel, mas não lidou com o que não era evidente que era destruir os bezerros de ouro. Jéu se aproximou dos caminhos do Senhor, ao destruir tudo aquilo que principalmente afastava a adoração de Israel ao verdadeiro Senhor, mas se afastou dos caminhos do verdadeiro Senhor, ao não destruir aquilo que não evidentemente ou até “inocentemente” afastava a adoração do povo de Israel. A adoração aos bezerros de ouro deveria ser tido como algo menos importante e talvez até como algo superficial, ou até tido como um costume sem muita importância, uma adoração “inocente”, justificada pelas necessidades de se acalmar os anseios e desejos do povo de Israel. Para mim, Jéu pormenorizou a adoração dos bezerros de ouro e provavelmente julgou que não era necessária a mesma atitude que teve em relação a Baal.
Não sei se por ser jovem ou se por supostamente ainda estar em fase de “formação”, parece que a todo momento, ouço sussurros em meu ouvido dizendo que os problemas que possuo em minha vida são normais e que um dia tudo isso passa. Já destrui o Baal em minha vida. Não sirvo mais aos vícios que já servi ao mundo, não preciso mais sentir adrenalina ou de uma dose de aceitação própria para me sentir bem. Não possuo nenhum Baal que afaste a minha adoração ao verdadeiro Deus, mas lendo essa passagem comecei a pensar que parece que tenho uma grande tendência a me acomodar com os “bezerros de ouro” em minha vida. Parece que temas tão polêmicos, como masturbação, conflitos interiores, ou coisas mais simples como a falta de amigos, ou até o sentimento de ser mal amado ou se sentir abandonado, são problemas imediatamente justificados através da síndrome de Gabriela “Eu nasci assim e vou morrer assim” ou de que são coisas que não podemos fazer nada para mudar, que é assim e acabou. A isso ainda contribuiu, o fato das pessoas nos dizerem, a todo o momento, que nos aceitam como somos, que já se acostumaram com o nosso jeito de ser ou que do jeito que estamos está ótimo, ou com a enxurrada de elogios de que somos uma benção e quão bom seria se todos fossem iguais a nos. Esse tipo de coisa, em vez de nos ajudar, faz-nos afogar em uma ilusão de que um dia, apenas um dia, seja ele próximo ou distante, subitamente as coisas irão mudar.
Nesse momento ecoa do fundo do meu coração um grito. Um grito talvez bem fino e sem força. Mas um grito que diz que não importa se sou jovem, não importa se sou cheio de falhas, não importa se tudo parece muito difícil ou até impossível. Um grito que parece repetir inúmeras vezes que não importa se já matei os senhores da minha vida, mas que eu preciso acordar, sair da minha acomodação e lidar com as cosias que eu tenho tratado como de menor importância. Sinto como se acordasse de um sono profundo e só agora conseguisse perceber como tudo isso tem me afetado poderosamente a minha vida. Estou cansado de ter que lidar, dias após dia, com a minha necessidade de me sentir mais amado e com minha necessidade de chamar atenção. Estou cansado, de muitas vezes cometer infantilidades. só pelo fato de me sentir como uma criança pequena que tomou um não de seu pai, ou que se aborreceu por não ter o seu pedido prontamente atendido. Estou cansado de tudo ao meu redor insistentemente tentar me convencer que é melhor e mais fácil me acomodar e me acostumar com os meus “bezerros de ouro”, já que não posso fazer nada em relação a eles.
Não sei o que passa na sua cabeça ao ler esse texto, mas por mais que eu venha a falhar ou que venha a ser rotulado por ser mais um que tentou e não conseguiu, mesmo assim me proponho neste momento a fazer algo diferente. Me proponho, a admitir que errei e que preciso lidar com meus problemas que não são tão evidentes e seguir tentando, me esforçando, perseverando, na minha luta contra esses problemas. Tudo isso para que ao final da minha jornada, não venha a me lamentar por ter sido igual à Jéu que por uma coisa boba, uma coisa que facilmente poderia ser resolvida, solucionado, mas marcou a sua historia e o fez não ter o cuidado de andar sinceramente na lei do Senhor (v.31). Seja como for, buscarei agora aniquilar os “bezerros de ouro”, enquanto ainda há tempo.
Gabriel Ribeiro

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